A Complexidade da Inteligência

A Dificuldade de Definir

A inteligência é algo extremamente difícil de definir. Quem diz que a definiu, muitas vezes (se não todas, na minha opinião), falhou ao tentar definir algo dinâmico com palavras estáticas. A palavra "movimento" não descreve o movimento em si, estamos apenas a dar um nome ao fenómeno do movimento (o mesmo acontece com a palavra "velocidade", etc.). Sendo assim, inteligência é apenas uma palavra para descrever processos, traços de personalidade e hábitos de um indivíduo que o levam a processar informação com mais profundidade.

O Reconhecimento de Padrões: Da Música à Matemática

Os testes de QI focam-se em avaliar a capacidade de reconhecer padrões e analisar sequências, perante as quais o indivíduo pode ou não ter alguma experiência prévia com exercícios do mesmo género. É uma métrica razoável na medição da inteligência, e uma prova disso é analisarmos áreas como a música, a matemática, a programação, a física, etc. (simplificando muito todos os processos e métodos únicos de pensamento de cada área).

O músico, por exemplo, divide um espectro infinito de frequências (notas) naquilo que lhe soa agradável. Em seguida, constrói padrões onde a junção de várias dessas notas produz sons mais complexos (acordes). Ao criar esses padrões, ele utiliza-os para formar composições inteiras. Ao tocá-las, ele não faz todo este processo de novo; ele apenas reconhece os vários padrões (os seus "blocos de Lego"). Ao tocar uma peça que nunca ouviu, ele reconhece os blocos da outra música, facilitando a leitura e a prática. Os músicos criam e reconhecem padrões — o seu trabalho é reconhecer padrões com o ouvido.

Para a matemática não preciso de entrar em muitos detalhes, sendo que provavelmente tu já tiveste algum aprendizado na área. Os grandes pensadores, para além de criarem novos "Legos", são extremamente bons em encontrar padrões. Imagina um problema sobre um círculo: muito provavelmente a fórmula A = πr² veio à tua cabeça, ou pelo menos o número π, pois conectamos duas ideias abstratas dessa forma. Reconhecer esses padrões é inteligência.

Atenção, um ponto muito importante: inteligência implica um entendimento profundo. Saber as fórmulas não significa reconhecer e entender com profundidade. Mas quanto maior a inteligência e a profundidade de pensamento, melhor conseguimos ver os padrões que estavam escondidos.

Para Além do QI: O Motor da Criatividade

Portanto, sabendo disto, sabemos que reconhecer padrões é inteligência, mas não só. Os pulos que os grandes músicos, matemáticos e génios fazem não estão dentro do espectro de coisas que o teste de QI avalia. O teste de QI, na melhor das hipóteses, pode avaliar a capacidade de aprendizagem de cada indivíduo, pois, para aprender qualquer coisa nova, o que mais interessa é reconhecer os padrões e conectar com ideias antigas (o teste de QI também falha ao não avaliar a conexão entre ideias).

Reconhecer padrões só nos leva até certo ponto. O que falta nesta receita para a inteligência é a criatividade. Com a criatividade conseguimos realizar feitos que parecem distantes. É como se todos andassem a pé no mundo das ideias, mas quem tem criatividade para resolver problemas tivesse um carro: pode chegar a destinos mais distantes (desconectados e aparentemente sem semelhança), muito mais facilmente.

Juntando tudo, a inteligência parece ser uma combinação de: 1 - reconhecer padrões, 2 - criatividade, e um terceiro elemento sobre o qual vou fazer outro post (o mais importante, até tenho uma tatuagem sobre ele).